segunda-feira, 5 de setembro de 2011

E aquele de andanças mis


divisão de bens

Esquecido na velha mochila azul  
não preciso de posses
sou por todos os prazeres

leva teus vasos antigos
sou mais as trepadeiras

ser por tão pouco
é saber-se inteiro
de tudo que é muito


Poemas das andanças mais


mikan

“só uma nuvem te separa das estrelas”
leminski


a caneta foi roubada como um beijo no sinal
era música prometida na reta da seta vivida
ao pé do passo em fútil salto na busca do sol

na penúltima letra lida
na sanha do sinal sei não

amarelo vermelho amarelo vermelho

quem transita tem verde na alma da cria
e quem cria alma em suor de ancas enleia
é bunda de pele com cara de tesão no sal

vermelho amarelo vermelho amarelo

traz lábio de baco na ponta da boca
cata no trampo as sanhas da nave bela
bichelengas no balacobaco por miçangas
de não saber dançar entre as aquarelas

Poemas das andanças


capanema

E ninguém estava depois da florestinha
E ninguém visitou a estrada dos quilombos

Restaram teus dedos
Ao dedilhar dos versos
E a criar perguntas antes das certezas certinhas

És real e bela
Poema ereto e andante

Os caminhos enviesados das estrelas da tarde te esperam
Os velhos descampados e as casas oblíquas te esperam
Os versos descabidos e as asas difusas te esperam

Restaram as crianças descalças
Para um abraço inútil

Será a primeira vez.

Ao dedilhar aqueles cabelos
tu criarás respostas para os sonhos

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Sandálias em entardeceres


para amanhã
uma viagem por entardeceres  


eu queria levar teus sonhos até as dunas
e ao tornar genipabu como cenário e suspeita
as cartas de amor se revelariam mundanas com aroma de mr.k

queria te deixar
em transe com o melhor da safra
e salmaso é trilha é milha
é rosa é veia e assalto

na certeza de que os poemas nascem
sobre os espectros dos corações de chumbo

queria vila pequena
mato e poeira caras e cores
e saber como doar entardeceres

ameixas maduras cabernet chileno café de minas
queria um sorriso de criança para montar o alvorecer

pensamentos nus com sandálias de couro cru sem nome
mochila, cabelo grande, bata velha da feira do vento

queria avisar suave da chegada de joão
e navegar dormindo na magia de jobim

corais e algas agdas achas por bailar no céu
com hinos de antonios cantados por kekeu

e passear sem rumo a mudar de rota
troçar sol por retalhos de céu e asa
em maragojipe no recôncavo da alma

a canção do radiohead e suas árvores plastificadas
queria sinceramente não me preocupar com nada

o signo é de um olhar
em arte seqüencial

uma mão umedecida
(de suor e perfume!)
um olhar endurecido
(de amor e de ciúme!)

queria um tantra um mantra
o sabor no sábado o sabor no sábado o sabor no sábado

de fumo escuro e gás liquefeito
um ombro de cem anos para descansar

queria verso descompassado
e cantar e cantar sem medo

tantas e tantas
receitas de cafuné
o mundo de uma mulher
teus vertiginosos segredos 

absintho para ficar em pé
um despertador para acordar bem cedo

com bela taninha limpar a barra
com telas de gaudi filme de godard

iluminar senhora dona iluminar

aquele rosto na base do lampião
avisar suave da partida de joão
e continuar o sono bom
do velho bruxo

pascoal hermeto 
hermeto pascoal
O que é casa em cada qual

coração em disparada e papear sem pressa
porque sombra de azul
amiga mana sai dessa
na madrugada não faz mal

queria recife velho
para as mentiras de um bem querer

a lua do ceará
embalada em papel de pão

o que mais tem um amigo na riqueza de um abraço

com a ponta de panaquatira
rabiscar todo o maranhão

estrada rueira doce estrada
mansa tarde se vai se vai vasta
ao cume largo e dor suspensa
dopa a noite em redemoinhios

prepara quem vem
em barro bom
em alto e bom som

queria queria queria

o segredo de um lugar
no vôo de um passarinho

e surubim com alho
na arte de falcãozinho

falar de paz com mendes
na confraria dos meninos

queria incertezas, toda a verdade,
a textura  a sedução do desamar

bolo jojô sem dialética e com insônia
pra mana kiu bebê de mina velha mana

cantai hippie dos mundos e dos beijos cantai

pra invadir os meses ímpares com placa de salvador
charuto cubano, calça de saco e conhaque fundador

dobrar os ferros da ponte na última noite de chuva
falar de desbundes  e versos bons com o velho manuca

ivan, ivon e tinho  os amigos no balcão
rico, fred, tina para andar na contra mão

cidade doida cidade
música vasta cidade

valentina dos cílios grandes
espadular fêmea de paris
menina julia de berardi
musa de manara 

dança de andarilho
ao som das big bands
em corpos gris 
bailando nos quintais

queria queria queria

namorar no pós com blues
ou nas cantinas de romeu

fazer cinema mudo com a câmera de maria
andar com jorginho pelos céus da andaluzia

doer em espanhol as inquietudes de federico
gritar pro glauber rocha como está nossa província

queria que respeitassem mais o ato da poesia
conversar com viejos chicos em castellano de quinta

todo o sábado e domingo pintar o sete
ao lado de du, rai  e da rainha elisabeth

queria falar com darcy da mentira de tantos brasis
achar no mato da frente a receita de ser feliz

ver chico a dedilhar os poemas de bandeira
um brasil de verdade
do paulo freire!
do vinicius!
do teixeira!

com alan 3d sextas mis a mais e às avessas
com simone de beauvoir amar e amar sem pressa

parir o ser
borrar o nada

chutar cinzeiros com a cara de madonna
blues à chalvinski  sob o olhar de mariana

queria jazz de mou na entrada do vou vivendo
stella suspensa em voz nos rasgos de outono
e dizer adeus para a saudade de alguém nascer

chegar de surpresa para a porta de uma grande paixão
falar sobre amor no céu da ilha antes da sanha do vulcão

clara pará flores nas praças
dentro da noite nunca parar

o olhar de fernanda torres
uns beijinhos da meg ryan
na cara de ferreira gullar

queria queria apenas um dia

nesta mão que não sossega
nesta língua na ponta da beira   
da salvador saliva que arranha

entre o vento que nunca foi brisa
e o rio que teima em querências de mar

pela sedução de todas as  varandas pro luciano inventar

seja de tudo
venha de tudo
com muito amasso e café

piaf, billie e seus cantos
saúde geraldinho e naná... 

outubro ou nada
de sandália ou pé descalço

o que tem um amigo na certeza de um abraço

calor, tesão, gargalhada e qualquer coisa com talismã
o aroma do velho concha, cigarros clandestinos
e uma sensação imortal de esperança

para amanhã.
na estrada, 2011







quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Direto de Maragogó



Lavagem

tantas
tantos
tanatos

vãos de gente lavam suor e semba
lambuzam e seduzem o sol



água pelos becos   reentrâncias
ânsia pelos dedos  querências


e na boca visga o gosto de tanino
e aqueles olhos foram passear de rio
maragojipe, 30 ago 11



sábado, 27 de agosto de 2011

Sandálias passo a passo


Drops

Dropas

mas nunca

derrapas:


Por que de dia

do lado de fora

só existe noite

nas janelas?


dados nos dedos sujos

pra você

dei meu dado viciado

mar em maio enlouquecido


pra você

estampei nos muros

o verso solto aos meus domínios


doei guerras

colhi almas


e dancei até o fim

sem saber do início


pra você

noturnos


pra você

invernos


tudo de vinho e sangue

na boléia dos encantos


qual o que casa

com quem junta


o que dos casos

nos dados marcados

por tua vida toda

inverno, 2005

quinta-feira, 25 de agosto de 2011

Sandálias na Varanda


A Varanda de Luciano na vila perdida entre as dunas

Entre perfumes, charutos, maresias e saudade.

Em janeiro desse ano, buli em um texto escondidinho há tempos. Quando a Varanda não se sabia ainda e beijava a areia de Patamares. E luas eram aceitas de dia, em alcovas desnudas e sobrancelhas ao sol.

Dava vinte para uma nos relógios e
deu no que deu:

inquietudes.
sanhaços na janela
sandálias na varanda.


a lua de vinte pra uma

pro luciano

o acaso move a casa do meu verso

cara diz casa liberta varanda vida


te faz troço e troças a asa

da lua descarada em duas

escancarada ao sol


invades o dia

contornas

abundas


em curvas desnudas

te mostras em brumas


desbunde aos tempos

aos mares aos mundos

bundos


lua luciana

reconversa soberana


inversa ao verso

ao sol de assalto


catiripapo

na casa canhota

destra aos incestos


ao meio dia inteira

ao sol do meu tudo


a cara do verso

desponta absoluto

absurdo tudo


e a casa diz casa

liberta varandas

libertas libertas...

. janeiro 11