sexta-feira, 9 de setembro de 2011

Cancionero da tarde sem fim


ALDEIA 
Para mano ivon e a comuna de santo antonio

O quereres e o estares sempre a fim
Do que em mim é de mim  tão desigual
Caetano

berra,
recôncavo das aldeias!


berra pelo rio
pelas ribeiras

os lampejos
os quebrantos
jejes dizeres

berra
berra nas barras
berra aldeia


no que beijo
no que chego 
às ilhas

ao prazer dos quereres

queria saber de marcello e de todas as tempestades
são luís é trava de cajús em panaquatira
é joina peta a bailar na jansen entre isqueiros 
é tua aldeia serpente entre litanias

à sombra dos avarandados bem perto dos precipícios 
porque as visões aos olhos de guapira perpetuam os saltos
da estrada de rio ao caminho de antonios

piscinas de barro anéis de sorriso 
canções de esquerda e de asfalto
sons de silêncios gris
na árvore dos pássaros semi azuis

queria vinho chileno (de novo!)
beiju (do pontal!) 
e café amargo (de minas!)

falar de che fidel camilo e sandino
acreditar na américa como destino
e desatino
meu sul é meu norte
bússola dos povos
ilha de todos

queria um andar liberto
o olhar direto de mari go
o sorrir das asas de carol


o falar do ivon
algodão ao vento
setembros

a sensação absoluta de estar onde quiser
e só aquele olhar na música
ou a música daquele olhar  
um bem querer

as paciências de luís
os poemas secretos de inês
as batas sábias de sandra 

queria
senhora dona
como queria

água salobra
vem dar na maresia

cheiro de verso
amuleto
feito de troços
versos e boinas

na canoa o vai e vem
de sumos e injuras

querer solares abaixo dos paralelos
querer luares e debruçar nos parapeitos
querer o parto dos lábios na pretensão dos poemas
antever os ritos sânscritos na arrogância das homilias

dourar louvar poder
burlar uivar morder

água bandida
vem dar na maresia
e me leva me leva de onda

porque teu beijo é teu beijo e se perfuma
a enseada dos jardins suspensos
frutifica esperanças nas cantigas de roda

cultiva amanheceres nas pegadas da lama
desenhos feitos de chuva no finzinho das tardes de abril

berra em batismos
berra pelas ribeiras
meu recôncavo

no caminho de antonios

a minha
a minha aldeia
a minha aldeia é o mundo.

na estrada, 2009/2011

3 comentários:

  1. Dia desses, espero que o vento dessa aldeia também possa soprar os nossos rostos. Nossos Antonios. Serenos. A sua aldeia que é o seu mundo. Com toda a sua autenticidade.

    ResponderExcluir
  2. Me arreceba Toinho de Pas.
    Eis o vento em teu rosto Gabi.

    Aldeia
    Aldeã
    Lua cheia
    Amarelo ouro
    Noite adentro
    Zabumbas e silvos
    Festas dos elementares
    As brisas do Iguape
    Rodopiam no ar
    Antonios direcionam.
    Aliza negros cabelos
    Clareia o rosto da Gabi
    Com um sorriso mesocarpo
    Noturnos observam
    Morros banhados
    Da névoa branca
    Amanhecem em sorrisos
    Trilhas de seixos
    Percorridos...
    Ante um cajueiro
    Bonsai do Reconcavo
    Eu um bandeirante
    Vislumbro o bemtevi
    Que gorjeia para sua cotovia
    Bela dançatriz.
    Um belo mancebo ruminante
    Mamparra no caminho
    Manada estanca
    Estalo no mato
    Alvoroço de medonhar
    Saio em disparada
    Para onde? Sei lá...
    Sei que faço parte
    Deste parto no mato
    No pispiar do tempo
    - Sólo un ráto no más -

    Abçs e bjs,
    Ivon das Aldeias

    ResponderExcluir
  3. conceição caldas20 de outubro de 2011 14:19

    Na aldeia não tem só os Antonios. Lá também tem as Marias.Marias... cheias de Graça, cheias de luz.Onde o vento sopra seus cabelos na alvorada e no entardecer.Eu também sou uma Maria e aprendi a comtemplar a Aldeia.
    Conceição.

    ResponderExcluir