terça-feira, 25 de fevereiro de 2014

Manchuras na estrada dos cataventos



A CRIA DOS TINTEIROS

(A rota dos pássaros rubros III)


Bem sei das luas esvaidas em sumo por nós na esteira do que se diz adeus 
dúbia acaso choras e não sabes do escrito na esquina à frente do arvoredo

e triste é o afago da chuva por alcançar velhas borboletas 
por desenhar a procria de sanhaços e o parto das rendeiras

por avermelhar manchuras na estrada dos cataventos 
por negar o endoidecer das horas rubras e dançarinas

há uma trilha sem volta das folhas rendidas aos rios 
como a imersão do que olhas agarra esquinas no cais

são minúsculas as nesgas do sol em raias cruas
e o que é belo por onde ninguém vê são dores gris

porque bem sei do vento e de vinhos seus 
trazidos do norte pela sanha dos invernos

da chuva tinta rezara ao cio das manhãs
da lama esguia brotaram os dois rabiscos

onde vais sei que chamas em láudano e forcas ao limo dos infinitos segredos 
porque ali na mesma esquina te espero sem jardins nem lonjuras.

e você bem sabe como isso me faz seco em azul
e salvador é chuva entre seixos no andar infindo 

bem sei e és assim mais e nada crês
côas além dos pássaros tão rubros 
as marcas e o adeus do quereres 

porque na esquina na casca do velho carvalho estão lá 
na medida do que é folha ou secura antes dos cascalhos…
da cata ao tempo sem armadilhas à culpa dos canivetes

sim, na casa dos arvoredos onde céu é cria de tinteiros
tem para sempre o que foram dois rabiscos para sempre.


Feira, fevereiro de 14





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