quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

De janelas, chuvas e teimosias






A velha canção da chuva

(dedilhos em Kathy's Song) 


a canção.

a mesma enquanto a chuva se espalha  
com a certeza que só baila e só se vai

em doce e amarga teimosa
a roçar a janela e as cercas

das velhas notas grimam os seus rostos
vêm pelas frestas dos meus dedos sujos

e eu procuro para além da estrada encharcada
para a aldeia ou o rio onde meu coração se foi

do meu silêncio disperso e dado a tristezas não tocamos  
minhas memórias são milhas de tantas veredas do antes
tantas ilhas distantes enquanto você dorme no seu ninho 
e te acariciam quando você brinca de acordar e não sorrir

é como a velha canção enquanto pingos aquarelam
a que arriscava escrever e sumir naquelas frestas

eu não sei porque ainda insisto com essas coisas
a desenhar os versos se dou as costas e corto a asa
é por não querer mais aceitar de maneira alguma 
as grimas tensas, rasgadas, levadas pela enxurrada

e assim você vai e eu teimo em te esperar
por acreditar no que sigo como fé e escolha 
e só é apenas a rima sem crença
a única casa que dedilho é você

é como acolher o linho dos temporais
tecer o rabisco dos labirintos, deixar ir
pois sei apenas que assim persistirei
pela mesma certeza de me saber chuva também.

Janeiro, 14
Arte: Leonid Afremov

Um comentário: