segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

A rota dos pássaros rubros VI






Além de Banghalah

ouvindo shine on your crazy diamond


os pássaros se vão
milimétricos no céu de dezembro.
aponto os solos que ouço à revoada
descubro os diamantes
os desníveis de som e assalto
de beijos poentes com bala
entre a sanha ereta e o adeus.

sim,
porque quando descubro os diamantes
eles não brilham mais
não nos cegam mais

sim
porque quando descubro os diamantes
Eles matam a tarde e as horas
no que duram na lida dos raios
e calibram cúbicos na escuridão

sim
porque quando descubro os diamantes
eles dominam o que do dia risca
fazem troças expulsam as algazarras
e desconvidam os tolos  para a farsa

assim é
sempre é assim
como os pássaros, os meninos também se vão
rebeldes e loucos nas  rotas da gaivota
ou do albatroz     

ao som dos mundos
mantras ávidos, acordes
tais quais são
os poemas solitários

resta
este céu cinza no vácuo do fim
do que seja carvão ou diamante
chama viva do que te reparte
e cala em versos vagos versos
os velhos solos de nós.


dezembro de 2013
Pas

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013




Daqueles pássaros noturnos


dentro da noite 
os versos escapam
e ganham o infinito das dúvidas
bailam nos vôos
onde toda escuridão domina

não se pode achar os versos
fugitivos da madrugada

felinos
os poetas zíngaros
escondem 
escamoteiam 
as fugas

porque os versos foram inventados para vôos de passarinho.
e passarinhos são dados aos raios do sol

por isso os poetas também inventaram as manhãs

Dezembro, 15

sábado, 30 de novembro de 2013



Alma zíngara
misturo dados a vinhos
e a sorver destinos
sou dado a asas
libertas em fins

é baco bacana
jardin semideserto
ao nome sem nome
ao inventar meu blues

é o que move
toda alma zíngara
coração italiano
sumindo no sol

é o que mancha
café amargo
amora líquida
do beijo ao albatroz

é o que semeia
anel de coco
lastro dos poemas
sapecados na luz

é o que dança
vago no tempo
vinco de tudo
vultos à toa
em suspensão

sou dado a errâncias
dados que rolam
a pertencer aos caminhos

e mandar os mandos
declamar ao mundo
o que vier
do que está
por vir.


Novembro, 30

sábado, 30 de março de 2013




Etta Blues

achei pontas soltas
a domar em dor 
a esvoaçar
o escancarar 
do farsesco

e quebrar
espatifar
o estrilar
do vento

dentro.

arranquei sim as pontas
derrubei criados mudos
e segui destrambelhado

a perambular
a endoidecer
e inventar
a cura.

fora.

porque eu vou ouvir Etta em Misty Blue
só me deixem ouvir Etta em Misty Blue

fechem as janelas 
tranquem as portas

e só me vejam com Etta em Misty Blue
eu quero apenas Etta em Misty Blue.

fechem o vento 
apaguem o sol

Etta, só a estrada...   

- Serve Saint Louis, baby?  


     

domingo, 24 de março de 2013




Bardos Castanhos

eu sou o apanhador dos teus campos 
e meu olhar respinga outonos em cantigas de mudas
não amealho as estradas ao longe 
e faço do que esperas 
a porta escancarada, 
as janelas libertas.

derivo as perdas onde tu amansas
ao equilíbrio das tuas ancas 
o sacolejar dos sonhos, 
o espelho dos dias.   
não nasci de primaveras.

habituo os dedos às circunferências. 
às superfícies lisas.
e sou futuro diante do teu frêmito
aperto as pedras, 
os soluços diante da tarde.

e sou castanho a caminho  
poente e diminuto
infinito de sandálias nas mãos.

sou adeus e te dou boas vindas
e cheiro das sacadas de onde o tempo desmora
o teu amor desmedido de sol.

sábado, 23 de março de 2013

Olhares em âmbar






Crepúsculo em San Vicente


Avançou pelos corredores da casa.

o olhar em âmbar
a equilibrar os passos 
como um pêndulo

sob o que restava de luz
as sombras mediam

quisera lembranças, caixotes, silêncios
cabiam ali respiros luminares deslimites

deixava o corpo em frêmitos
havia a mansa sedução      
o afagar dos que amaram

as sombras iam
o dia se deixava
e teu espectro dado
a pertencimentos da casa

redivivos
quadriculares

e aquele mundo a assistir
o entreabrir dos vínculos
o fechar das portas
o deixar dos que amaram

quisera crepúsculos, gaiolas, silêncios
haviam noturnos, taças, estilhaços   

não cabia mais
a casa.

ssa, 23 mar 13

terça-feira, 12 de março de 2013





FARFALHAR

Arte: Prerana Kulkami

andar
entardecer
olhar
colher

das janelas
o mar das vias
afins

Sementes de arco-íris urbanos
a rua em perpendiculares
andares

cozer

mundaiar
fotografias
luminar
redizer
a cria

em manta o sol
dos olhares
dos pilares
dos andares
em mim.


ssa, 13