quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Fevereiros febris















Lua de lince

lua a ferir
a brindar os insones
lua a burlar

a querer errar.

bola crua
branca imensa

cair brincar pingar

fugir do sereno
lumiar felino

desejo a ti atriz

lua a bulir
a beirar os meninos
lua a dormir

a sós
apois.

insones somos
nus.

fevereiro 2013
foto: Joe Sulik





quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Fevereiros



Todo tempo

traz a rua pra dentro
acolha no demais 
o cais desses gritos
a pedra o monolito

minúsculo

faça a coisa
incerta
rasga a canção
de flor ou carvão

fortuito

pas das ilhas
traz a rua
pra dormir junto
e dê ao muito

o minuto.

fevereiro de 2013


Sem retrovisor





Andarilhas

Dançarina vem 
e amassa mansa
o medo de ir

mas só faça sorrir
para criar andança
Na mancha do fim.

fevereiro de 2013
Foto: Kelly Martin Blog 

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Para Teco






ACALANTO NA ROTA 66

Tempo ao avesso bem dobra a esquina
e faz dos encantos o que mais se havia
segredos da noite, vem canta meu filho
a sombra é o farol que do mar silencia

Tampa aconchegos em luz serpentina
ao som dos quebrantos o mar invadia
aceno de adeus não roubas meu filho
Saudade nasce de sol posto à revelia 

Teimas em valer o que já se destina
e mira o acalanto pela rota das vias
segue teu tempo, iluminas meu filho 
e a soma é o sumo da noite e do dia.

Janeiro, 2013
(foto: Matheus Pastori)

segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

Últimas







Acordos

Me queiras rio
à rota dos lupanares
e doas aos caprichos
o maço envaidecido.

Me roubas sanhas
ao encanto devasso
e doas os relaxos
dos enquadros proibidos

e faça-me o favor
de fechar a porta.

Arte: Ben Slow
dezembro de 12


sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Paris em chamas


Eiffel Blues



Eiffel
Eiffel Blues

Troças morta o afago
Vem  derramas sossegos
Contraponto na luz

Eiffel
Eiffel Blues

Noite dança teus córregos
Vem e arruma teus moços
Catavento & verniz

Eiffel
Eiffel Blues

Lua ladra de sonhos
Vai e grita aos contentes
Já amanhece em Paris

Amanhece,
Paris.

 Novembro,12




   

sábado, 20 de outubro de 2012

Minuto na cidade sem rostos



Quarenta e três

Quantos são os caminhos 
que deixam este olhar suspenso 
e transformam em aquarelas
as avenidas os becos as vielas
e circundam em adereços

o que há de mais desse apreço


que sai do olho dela?

primavera de 12