sob o olhar de saramago
olhei o modo
de andar altiva
pelo cimento
plena e senhora
dos mares em terra
das elegâncias
garça
ofegante dorso
as mandíbulas tensas
o suor na anca
com passos crivados na calmaria
ato executor de uma doida alma
jurei não dizer
uma única palavra
uma jura sequer
do que desejava
olhei meus pés
e segui aos olhos frios
dos gatos que me olhavam
não queimei cigarros
rocei a traição dos mundos
valsa de adeus e de morte
para aqueles olhos pequeninos
que me deixavam.
e eu marco pontos escuros entre as estrelas
e eu amanso o sobrevôo das cotovias
chacoalho guizos
aturo números em ponteiros
afugento os gatos
e você adentra em pautas noturnas
com o gosto de café da minha boca
com a tristeza dos olhos sem cara.
a garota do adeus